Dei uma formação sobre não-violência há dez anos em Istambul. A formação, programada para dois dias inteiros, foi desenhada num país da Europa do Norte. Tentou-se adaptá-la o melhor possível ao contexto turco. Um dos módulos visava identificar gatilhos para a violência e a raiva. Isto ajuda o indivíduo a tomar consciência da provocação e adquirir controlo e calma durante uma situação confusa. “O que é que te indigna?” foi a pergunta dirigida aos 20 formandos. Do lado do formador, temos também as nossas respostas. A minha favorita é “injustiça”: quando vejo alguém a agir injustamente para com outra pessoa fico sempre revoltado e sinto-me impelido a reagir. Outras respostas possíveis na nossa lista incluem “violência”, “opressão”, “mentira”, “ignorância” e “intolerância”. Exemplos mais concretos podem incluir os nazis na Alemanha a queimar casas de imigrantes ou polícias a parar e revistar pessoas não brancas na rua. Enfim, é a exemplos sociais e políticos que pretendemos chegar. Ou, no mínimo, a abstracções e conceitos. Das 20 pessoas na sala, seis responderam: “Quando nas estações de metro as pessoas ficam do lado esquerdo das escadas rolantes em vez de andarem.”
Para ler a crónica completa, publicada no P3 a dia 8 de junho de 2018: https://www.publico.pt/2018/06/08/p3/cronica/turquia-um-conglomerado-de-pessoas-a-caminho-das-urnas-1834968