Em 2018 saíram três estudos importantíssimos que resumem o ponto de situação na ciência e política das alterações climáticas.

O primeiro foi o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), que pela primeira vez calculou o que era necessário fazermos para atingir a meta de limitar o aquecimento global por 1,5ºC relativos aos níveis pré-industriais. O IPCC, o conselheiro científico das cimeiras do clima, é uma entidade curiosa, com duas facetas. Em primeiro lugar, compila os artigos científicos mais atuais e credíveis e faz os seus próprios modelos climáticos para prever o futuro do planeta. Neste sentido, os dados e resultados do IPCC são os melhores representantes do consenso científico atual. Ao mesmo tempo, os relatórios do IPCC são aprovados por consenso nos plenários com diplomatas e delegados políticos. Com vários governos em representação do negacionismo climático (ou, mais diretamente, dos interesses das empresas petrolíferas), as versões finais dos relatórios acabam por ser mais conservadoras e menos alarmantes que a própria ciência que estão a apresentar. Qualquer leitor pode facilmente identificar as contradições no próprio texto do relatório que, por exemplo, diz que a captura de CO2 não é um método viável, mas também aconselha o uso deste método e até sugere um corte mais leve nas emissões por assumir o uso deste método. Resumindo, os dados do IPCC representam o consenso científico, mas os relatórios – a expressão desses dados – representam o consenso político global, que muitas vezes indigna os próprios cientistas que produzem estes relatórios. …

Para ler o artigo completo, publicado no Jornal i a dia 24 de janeiro de 2019: https://ionline.sapo.pt/643565

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